Doria anunciará na quarta-feira como será a reabertura gradual em SP

O planejamento de reabertura gradual dos setores produtivos no estado de São Paulo, que será implementado após o término da atual etapa da quarentena, em 10 de maio, será divulgado pelo governo na próxima quarta-feira (22). O anúncio foi feito pelo governador João Doria em seu perfil no Twitter.

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“A reabertura levará em consideração diversos fatores como disseminação da epidemia, situação do sistema de saúde e distanciamento social. Todas as medidas estarão alinhadas com o Comitê de Saúde do Centro de Contingência do Coronavírus. A ciência continuará pautando nossa ações”, complementou Doria em seu fio de postagens na rede social.

Doria acrescentou que é fundamental que a população contribua e permaneça em casa, mantendo o índice de isolamento social até o dia 10 de maio.

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Jair Bolsonaro

Na contramão dos governadores e das recomendações dos órgãos mundiais de saúde, o presidente Jair Bolsonaro defende o fim da quarentena e a abertura das indústrias e do comércio. Ele afirmou que esse movimento vai ser natural e gradual e que as coisas têm que voltar ao normal.

O presidente disse que, em média, 70% da população vai pegar coronavírus e ninguém contesta esse percentual. O Brasil ultrapassou nesta segunda os 40 mil casos, com 2.575 mortes.

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Bolsonaro afirmou nesta segunda que, após se reunir com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, trabalhará para reabrir já na próxima semana o Colégio Militar de Brasília — instituição de ensino da capital ligada ao governo federal –, em mais um gesto para pressionar o retorno das atividades no país.

“Não está batido o martelo ainda”, ressalvou Bolsonaro, em entrevista a jornalistas no Palácio da Alvorada, ao contar que ainda vai discutir o assunto com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo.

Bolsonaro destacou que Ibaneis — governador de uma das unidades da federação que mais cedo instituiu medidas drásticas de isolamento social — também vai avaliar se abre na próxima semana as escolas cívico-militares.

No início do mês, o governador do DF editou um novo decreto suspendendo as aulas em escolas e faculdades até 31 de maio. As escolas no Distrito Federal estão fechadas desde 11 de março, e a intenção inicial do governador é que escolas e faculdades fossem os últimos a retomar as atividades regulares.

O presidente disse que vai conversar com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para reabrir a Academia Nacional da Polícia Federal também na próxima semana. Essa instituição fica localizada em Brasília.

Ibaneis foi um dos poucos entre os 27 governadores que não assinaram uma carta dos chefes de Executivo estaduais em apoio à atuação dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), na pandemia do novo coronavírus. O Congresso, principalmente Maia, tem sido alvo de críticas de Bolsonaro.

O presidente disse ter se reunido nesta segunda com o recém-nomeado ministro da Saúde, Nelson Teich. Afirmou que ele pretende ter dados antes de falar sobre isolamento social.

Bolsonaro destacou que a intenção do governo federal é auxiliar os entes regionais, mas ressalvou que esse respaldo não pode ser para sempre. “A nossa intenção é ajudar economicamente, mas ajudar até quando?”, questionou.

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Rodrigo Maia: No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo

Em sua página pessoal no Twitter, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia postou sobre a dificuldade de além de ter que combater o coronavírus, temos que combater o autoritarismo:

“O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos. Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição.”rodrigo maia

Este post, embora não cite nomes, bem acontecimentos específicos, faz uma clara referência à manifestação contra a democracia do último domingo (19), na qual teve apoio e participação do presidente da República Jair Bolsonaro, contrariando recomendações da OMS e de vários especialistas.

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Bruno Covas inicia instalação de pias em comunidades vulneráveis

Bruno Covas

Prefeito Bruno Covas instalará cem pias em pontos estratégicos das comunidades e ocupações mais vulneráveis e sem o mínimo de infraestrutura urbana de São Paulo. Nesta fase inicial serão colocadas 20 peças. Entre as comunidades que receberão os equipamentos para higienização estão as comunidades Alba e Vietnã (Zona Sul); Água Branca, Camarazal e Água Podre (Zona Oeste) e Viela da Bica (Zona Norte). O trabalho, que faz parte das ações de prevenção e combate à covid-19 (doença provocada pelo coronavírus), será realizado com o apoio da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

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Os demais pontos estão sendo definidos pelo departamento social da Secretaria Municipal de Habitação. A ação também tem o objetivo de apontar quais locais mais necessitam de doações de alimentos e kits de higiene que serão realizadas pela Prefeitura, em parceria com a Cruz Vermelha, por meio da Campanha Cidade Solidária.

 

Ações já realizadas

Nesta semana foram distribuídas cestas básicas na comunidade de Heliópolis para entidades parceiras da Secretaria Municipal da Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) que atuam na região. A Subprefeitura Campo Limpo intensificou as ações de limpeza em Paraisópolis e nas demais comunidades de sua área administrativa.

 

Saúde

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e da Coordenadoria de Atenção Básica e seus equipamentos de saúde, está promovendo outras diversas ações para garantir o atendimento e a informação às comunidades. Entre elas, destacam-se o direcionamento dos Agentes Comunitários de Saúde e equipes multidisciplinares para atividades de combate à covid-19, vacinação do H1N1, utilização de várias ferramentas de comunicação para atingir de forma mais efetiva a divulgação dos sinais, sintomas e forma de prevenção da doença (carro de som e cartazes, entre outros), assim como estímulo ao isolamento social. Também fazem parte das iniciativas a orientação de acordo com a realidade do local, reforço aos cuidados de higiene  individual e da residência, monitoramento de casos com sintomas leves de gripe por meio de contato telefônico, e se necessário, visita domiciliar.

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Bolsonaristas fazem protesto contra a Constituição e contra Doria

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fizeram manifestação neste último domingo em Brasília. Manifestação que contou com a presença e o apoio do presidente da Reúplica e seus dois filhos. Jair Bolsonaro discursou neste para apoiadores que pediam uma intervenção militar no Brasil, o que contraria a Constituição.

A manifestação foi em frente ao Quartel General do Exército. Os manifestantes empunhavam faixas e cartazes contra a democracia. O presidente fez questão de estar presente e ainda discursou.).

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O protesto foi convocado pelo WhatsApp  bolsonarianos. Na manifestação podia-se ver bandeiras do Brasil por toda a parte. Os discursos eram contra a quarentena, contra à constituição brasileira e contra o parlamento. Houve muita reclamação contra João Doria.

Os manifestantes levavam cartazes com mensagens contra a democracia e proibidas pela Constituição. Eram contra o Supremo Tribunal Federal, contra o Congresso, defendendo uma intervenção militar e pedindo a volta do AI5 – o ato institucional da ditadura militar que fechou o Congresso, cassou políticos, suspendeu direitos, instituiu a censura à imprensa e levou à tortura e morte de presos políticos. Uma das faixas da manifestação deste domingo dizia: “Intervenção militar com Bolsonaro no poder”. Várias tinham textos parecidos, aparentando terem sido fabricadas pelo mesmo fornecedor.

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Mandetta é demitido e anuncia sua saída em rede social

Henrique Mandetta comunica em sua página pessoal no Twitter  sobre sua saída do Ministério da Saúde e agradece a oportunidade de ter estado à frente do SUS:

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Relembre o caso: Mandetta que estava à frente do SUS e das políticas de enfrentamento ao Coronavírus, discordava do presidente da república em vários pontos, como por exemplo sobre aglomerações, sobre o isolamento social e uso de medicações sem comprovação cientifica de sua capacidade e efeitos colaterais.

Bruno Covas recomenda horário de abertura para indústria e comércio

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), publicou uma orientação com horários de abertura para os estabelecimentos que estão em atividade durante a pandemia do novo coronavírus.

Supermercado

O texto estabelece que locais como lavanderias, mercados, comércio de materiais de construção e farmácias devem iniciar as atividades antes das 6h ou após às 11h.

Segundo o documento divulgado pela administração municipal, a medida vale também para os serviços públicos (municipal, estadual e federal), desde que não sejam serviços essenciais.

As recomendações sobre o horário de funcionamento das atividades é validade ainda para industriais, comerciais e de serviços durante o estado de calamidade pública para enfrentamento da pandemia decorrente do coronavírus.

“A medida visa a redução da aglomeração de pessoas nas vias e logradouros públicos, em especial nos terminais e pontos de transporte urbano de passageiros nos horários de maior demanda”, diz o texto da prefeitura.

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A APAS (Associação Paulista de Supermercados) irá recomendar que os estabelecimentos sigam as orientações da Prefeitura de São Paulo, segundo o presidente da entidade, Ronaldo dos Santos.

“Nós vamos orientar nossos associados que façam as adaptações necessárias para poder cumprir este decreto e dessa forma colaborar com o objetivo da prefeitura”, afirma.

“Nosso setor conta com uma certa peculiaridade, já que tem diversas atividades dentro da nossa operação, como padaria, açougue. Uma loja que abre às 7h, boa parte dos trabalhadores já estão na loja bem antes da abertura”, diz.

No caso das farmácias, cada uma deverá analisar a sua situação individualmente e avaliar sobre aderir ou não às recomendação da prefeitura, afirma Rafael Espinhel, consultor jurídico da Sincofarma, entidade representante dos comerciantes de produtos farmacêuticos.

“Cada local irá ver suas particularidades. As farmácias menores terão mais dificuldade de seguir estes horários, será preciso analisar o perfil de cada região, o perfil do público que costuma frequentar o local”, diz.

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“No entanto, de forma geral, a realidade dos estabelecimentos do setor já é diferente. Na capital existem 3400 farmácias, um número muito significativo já funciona acima de 12h. Talvez não tenha nenhum efeito concreto essa medida, para as farmácias. As maiores, as redes, costumam funcionar em grande parte com um horário bem amplo”, finaliza.

Bolsonaro é o pior líder mundial a lidar com coronavírus

O conhecido jornal americano The Washington Post publicou nesta última terça-feira, 14, um editorial que destacou o presidente Jair Bolsonaro como o pior líder mundial a comandar uma reação contra a pandemia do novo coronavírus. Segundo a publicação, o presidente brasileiro coloca a vida das pessoas em risco ao des desprezar a força da Covid-19.

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O texto que é um texto de opinião assinado pelo conselho editorial do veículo americano tem como título “Líderes arriscam vidas minimizando o coronavírus. Bolsonaro é o pior”. Ao lado do brasileiro estão os chefes de Estado do Turcomenistão, Belarus e Nicarágua, segundo o jornal. O líder deste último não aparece em público há mais de um mês para tratar das questões da crise gerada pela pandemia.

Bolsonaro na rua

“Quando as infecções começaram a espalhar no país com mais de 200 milhões de pessoas, o populista de direita chamou o coronavírus de ‘gripezinha’ e pediu que os brasileiros ‘enfrentassem o vírus como homem, não como moleques’”, registra o artigo sobre Bolsonaro.

O jornal ainda citou a campanha “O Brasil não pode parar” e as discordâncias públicas entre Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, como exemplos de más condutas do presidente brasileiro. Afirma ainda que o aumento de casos nas últimas semanas e o baixo índice de respeito ao isolamento social em São Paulo durante o feriado da Páscoa podem ser atribuídos em parte à retórica de Bolsonaro.

Por fim, o editorial recomendou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aconselhasse Bolsonaro quanto ao isolamento social. O republicano, que no início se posicionou contra a medida, passou a apoiar ações recomendadas por profissionais de saúde para conter o coronavírus.

“Ele (Trump) poderia fazer um grande favor ao telefonar para Bolsonaro, que é seu aliado político, e pedir que ele faça o mesmo”, conclui o Post.

Esposa de Tom Hanks alerta sobre efeitos terríveis da cloroquina

O ator Tom Hanks e sua esposa, Rita Wilson, ambos com 63 anos, revelaram no início de março o diagnóstico positivo para a Covid-19, quando o casal estava na Austrália, onde Hanks faria um filme. Recuperados e de volta aos Estados Unidos, o ator participou neste fim de semana de uma gravação caseira do programa Saturday Night Live, e Rita deu uma entrevista ao programa This Morning, no canal CBS, falando sobre o processo de recuperação.

“Eu me sentia muito cansada, dolorida, desconfortável, não queria que ninguém me tocasse”, disse Rita, que também é atriz e produtora. No pior momento da doença, a febre chegou a 39 graus, e ela perdeu por alguns dias o olfato e o paladar. Neste período, Rita foi tratada com cloroquina, a controversa droga em fase de teste no tratamento contra o coronavírus.

“Me deram a cloroquina para diminuir a febre, o que de fato aconteceu. Porém, o remédio causou efeitos colaterais extremos”, conta Rita. “Senti muita náusea, tonturas e meus músculos ficaram tão fracos que eu não podia andar.” Rita ainda fez um alerta. “Precisamos ter muito cuidado com essa medicação. Ainda não temos certeza se é segura para esse tipo de tratamento.”

A atriz ainda conta que Tom Hanks teve sintomas mais leves que ela, e que ambos provavelmente pegaram o vírus de alguém com quem tiveram contato, mas o casal não imagina quem nem quando. Acredita-se que tenha acontecido no trajeto feito por eles entre Estados Unidos e Austrália. Recentemente, o casal doou sangue para uma pesquisa que busca nos anticorpos dos recuperados possíveis tratamentos para a doença.

 

Cloroquina funciona ou não?

Na última segunda (14), a revista Super Interessante conduziu um debate ao vivo sobre a cloroquina. Ela funciona contra o coronavírus ou é uma farsa? E como anda a busca por uma cura e uma vacina para a Covid-19?

Cloroquina

Caso você não tenha acompanhado, você confere neste vídeo a conversa completa, que contou com a participação de Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência, e Flavio Emery, presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas.

Enquanto os especialistas em saúde do mundo todo correm para encontrar tratamentos – e eventualmente uma cura – para o novo coronavírus, dois remédios ganharam popularidade: a cloroquina e a hidroxicloroquina. A comoção começou quando o presidente dos Estados Unidos Donald Trump considerou as drogas “os agentes de mudança de jogo” e enalteceu a pressa de adquirir esses produtos farmacêuticos e liberar para uso em todos com pacientes com Covid-19, doença causada pelo vírus.

Logo em seguida, o presidente Jair Bolsonaro seguiu a recomendação de Trump e deu início a um embate com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que defende esperar a publicação de estudos clínicos confiáveis antes de liberar o uso do medicamento para todos os pacientes infectados pelo novo coronavírus. Como já era de se esperar, toda essa discussão gerou ainda mais dúvidas na população. Afinal, funciona ou não funciona? Por que não pode usar? A revista VEJA compilou as principais e explica cada uma delas abaixo.

A cloroquina cura o coronavírus? Ainda não se sabe. Especialistas acreditam que, mesmo que estudos clínicos mostrem que a cloroquina ou a hidroxicloroquina tem eficácia no tratamento da Covid-19, dificilmente ela será a cura ou o único tratamento existente, devido aos riscos associados.

A cloroquina surte efeito contra o coronavírus? Estudos in vitro, ou seja, realizados em células humanas em laboratório, indicam que sim. “Os estudos em laboratório indicam que o medicamento age em dois caminhos avaliados para combater o vírus: tem um efeito antiviral e anti-inflamatório. Além de inibir a replicação do vírus e sua entrada na célula, a cloroquina parece ter uma ação anti-inflamatória. Isso é importante porque, para se defender do vírus, o organismo reage com inflamação. Mas se essa resposta é muito intensa, a manifestação clínica é muito grave. Ao agir nesses dois caminhos, a cloroquina poderia reduzir a gravidade da doença. Do ponto de vista experimental, faz sentido. Mas tem muito remédio que funciona no laboratório, mas não no paciente. Por isso é preciso esperar o resultado de estudos clínicos rigorosos.”, explica a cardiologista e intensivista Ludhmila Hajjar, coordenadora de ciência, tecnologia e inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Se tem efeito em laboratório, por que poderia não funcionar quando administrado em pessoas? “Estudos in vitro não podem imitar perfeitamente as condições dos nossos corpos. Por exemplo, alguns medicamentos não são bem absorvidos pelo intestino e, portanto, podem não ter o mesmo efeito no corpo que é visto in vitro. Além disso, estudos in vitro não podem nos fornecer informações sobre possíveis efeitos colaterais; portanto, esses estudos não podem nos dizer o quão seguros esses medicamentos devem ser usados ​​em pacientes com Covid-19.”, explica Kome Gbinigie, pesquisadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e autora de uma revisão sobre testes com cloroquina para o tratamento de Covid-19.

Mas a pesquisa feita na França não mostrou que funciona? O teste clínico realizado na França e enaltecido pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump mostrando que a cloroquina “curou” o coronavírus tem graves falhas metodológicas. “Ao ler o estudo, a gente fica chocado. O grupo comparativo, que é o grande balizador, era de outra instituição. Além disso, a idade dos integrantes dos dois grupos [quem recebeu o remédio e quem não] era diferente. Os pesquisadores sabiam quais pacientes estavam tomando o remédio. Isso gera viés. Além disso, o grupo da cloroquina evoluiu pior. Tiveram algumas mortes que não são citadas nos resultados.”, diz Ludhmila Hajjar. Além disso, da mesma maneira que alguns testes clínicos, como o feito na França e outro realizado na China, mostram que funciona, outros estudos, realizados nesses mesmos países, apresentaram resultados opostos e indicam que a cloroquina não funciona. “Os ensaios clínicos relataram dados empíricos sobre a eficácia da hidroxicloroquina. Precisamos de mais ensaios clínicos randomizados de alta qualidade, para que possamos combinar seus resultados e determinar se há um sinal positivo ou negativo [no uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina] contra o coronavírus”, explica a pesquisadora Kome Gbinigie.

Qual é o problema das falhas metodológicas no estudo francês e como é o estudo ideal? O estudo clínico ideal, chamado padrão-ouro, é o estudo randomizado controlado duplo-cego. Isso significa que o estudo é projetado para reduzir vieses que poderiam comprometer seus resultados. Nesse tipo de estudo, nem o médico nem os pacientes sabem se receberam o medicamento ou o placebo (duplo cego). Essa característica reduz a possibilidade de o médico tratar os dois grupos de maneira diferente e também reduz a possibilidade de feito placebo no paciente. Além disso, nesse tipo de estudo os pesquisadores não conseguem escolher quais pacientes entram em qual grupo. Eles são selecionados de forma aleatória (“randomizados”) e a composição dos dois grupos é aproximadamente equivalente (“controlada”). Aprovar um medicamento sem fazer esse tipo de estudo primeiro pode ter consequências graves.

Quais são essas consequências? Um exemplo emblemático dos riscos de se aprovar um medicamento sem a realização de estudos rigorosos, que sigam o padrão explicado acima, é a talidomida. Hoje o medicamento é utilizado no Brasil para tratar hanseníase. Mas na década de 1950 seu uso foi aprovado na Europa para insônia. Na época, o medicamento foi considerado extremamente seguro, inclusive para ser usado por mulheres grávidas. Com o passar do tempo, notou-se que ele também era capaz de reduzir os terríveis enjoos matinais durante a gravidez e ele começou cada vez mais a ser prescrito para grávidas. Anos depois descobriu-se que a talidomida causava deformações físicas em bebês, além de outros graves efeitos colaterais. O medicamento foi proibido em muitos países, mas o estrago já estava feito e milhares de crianças foram afetadas por essas deformidades.

Mas a cloroquina já é usada em humanos. Isso não significa que ela é segura e eficaz? “Embora a cloroquina e a hidroxicloroquina sejam geralmente consideradas drogas seguras para suas indicações aprovadas pelo FDA (como tratamento da malária e profilaxia), ainda não temos evidências robustas da segurança e eficácia dessas drogas no contexto da Covid-19. Portanto, existe o risco de que esses medicamentos não sejam eficazes para a Covid-19 e têm um risco adicional de causar danos às pessoas que os tomam”, explica a pesquisadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Resultados preliminares de um estudo conduzido pela Fiocruz no Brasil mostraram que o uso de uma dosagem alta de cloroquina em pacientes com quadros graves de Covid-19 é tóxico, aumentando o risco de arritmia cardíaca e morte. Essa dosagem não será mais indicada para uso. Mas mostra a importância da realização de testes antes de liberar o uso em larga escala.

A Covid-19 não tem cura e causa a morte de milhares de pessoas. Neste caso, um medicamento que mostra algum efeito não é melhor que nenhum? Não necessariamente. Como o medicamento não é isento de efeitos colaterais, existe o risco de seu uso trazer mais riscos do que benefícios.

Então por que seu uso foi liberado em pacientes internados, mas não em casos leves? “Quando existe uma terapia que não sabemos se funciona, a gente tende a não prescrevê-la aos pacientes. Mas quando o paciente está muito grave e sabemos que é uma doença com mortalidade alta e sem tratamento, como a Covid-19, você arrisca. É o chamado uso compassivo, que foi aprovado pela FDA.”, explica a cardiologista Ludhmila Hajjar. É uma situação completamente diferente usar em um paciente leve, que tem uma grande chance de se recuperar sem nenhuma intervenção. Vale lembrar que a maioria dos pacientes infectados se cura naturalmente da doença, sem necessidade de tratamento e sem maiores complicações. “Essa droga não é isenta de efeitos colaterais, principalmente para pacientes cardíacos, por isso é preciso cautela antes de prescreve-la para pacientes que podem evoluir bem”, ressalta a médica. Estudos em pacientes com sintomas leves e até mesmo estudos para testar a eficácia da cloroquina na prevenção do coronavírus já estão em andamento. Mas é preciso paciência e esperar os resultados.

Quais são os efeitos colaterais da cloroquina e da hidroxicloroquina? Os efeitos colaterais desses medicamentos incluem danos irreversíveis na retina, arritmias cardíacas, fraqueza muscular, queda acentuada no açúcar no sangue, problemas renais e hepáticos, insônia, pesadelos, alucinações e ideação suicida. O medicamento também pode ter interações prejudiciais com remédios usados ​​para tratar diabetes, epilepsia e problemas cardíacos. Vale ressaltar que esses efeitos colaterais são um grande motivo pelo qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda mais a hidroxicloroquina como tratamento de rotina para a malária.

Qual é a indicação do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no Brasil? O Ministério da Saúde orienta o uso do medicamento apenas diante de casos graves, ou seja, pacientes hospitalizados com pneumonia viral, mediante orientação médica e em conjunto com acompanhamento cardíaco do paciente. Recentemente, a pasta publicou as Diretrizes para diagnóstico e tratamento da Covid-19. O documento especifica a dose e duração do tratamento.

O tratamento já está disponível no SUS? No final de março o Ministério da Saúde começou a distribuir aos estados 3,4 milhões de unidades dos medicamentos cloroquina para uso em pacientes com formas graves da Covid-19.

E se meu médico quiser prescrever cloroquina ou hidroxicloroquina? Os médicos podem redirecionar o uso de um medicamento que foi liberado para tratar outras doenças, como a hidroxicloroquina, prescrevendo-o para uso off label, em casos individuais. Neste caso, fica a critério do profissional de saúde se responsabilizar pelos pacientes e possíveis riscos envolvidos no uso da medicação. “Como médica eu tenho direito de prescrever o tratamento que eu julgar necessário para o meu paciente. Mas no caso da cloroquina, por exemplo, eu não posso dizer ao paciente que existem evidências científicas para isso. É preciso deixar isso claro. Não posso vender como o salvador de uma pandemia. Além disso, sabemos que inibir a transmissão é a única forma de controlar essa doença e isso o medicamento não faz.”, diz Ludhmila.

A cloroquina é considerada o tratamento mais promissor contra o novo coronavírus? Não. O remdesivir, um medicamento desenvolvido para o tratamento de ebola – e que falhou contra a doença – é considerado o tratamento mais promissor por especialistas. Inclusive, antes de toda a polêmica envolvendo o Trump, França, Bolsonaro e outros líderes de estado, as pessoas procuraram mais o termo “remdesivir” do que “hidroxicloroquina”, de acordo com tendências do Google. A cloroquina era uma hipótese secundária de tratamento que nem estava incluída no estudo Solidariedade, da OMS. Só após toda a repercussão do medicamento, a entidade decidiu inclui-lo nos estudos globais. Sem esquecer que esses não são os únicos tratamentos sendo estudados, há o favipiravir, o lopinavir + ritonavir, a transfusão de plasma de pacientes curados,  corticoides, interferon, entre outros.

Se sua eficácia ainda não está comprovada por que falam tanto de cloroquina e tanta gente defende o uso? Além de possuir um “mecanismo plausível” para combater o coronavírus, a hidroxicloroquina e a cloroquina são uma perspectiva atraente. Esses medicamentos já foram testados em seres humanos, estão aprovados e disponíveis em larga escala e em baixo custo. Além disso, médicos em vários países, incluindo Estados Unidos, França, China, Coréia do Sul e Brasil, relataram sucesso no tratamento de pacientes Covid-19 com hidroxicloroquina, às vezes em associação com o antibiótico azitromicina. Mas essas são histórias são apenas anedóticas e não oferecem muitas informações sobre a eficácia do medicamento em uma população mais ampla. Além disso, diante do medo e da incerteza, as pessoas querem soluções rápidas. “Não tem milagre nem segredo. Nunca teve.”, diz o infectologista David Urbaez, do Laboratório Exame, que integra a Dasa.

Qual é a diferença entre a cloroquina e a hidroxicloroquina? A cloroquina sintética foi desenvolvida em 1934 para o tratamento da malária. A hidroxicloroquina é um medicamento derivado da cloroquina, o que significa que os dois têm estruturas semelhantes, mas é menos tóxico.

 

Hospital Emílio Ribas está com 100% dos leitos de UTI ocupados

O estado de São Paulo tem o primeiro hospital com 100% de ocupação dos leitos de UTI devido à pandemia de covid-19. Escolhido como uma das unidades de referência no combate à doença, o Instituto de Infectologia Emilio Ribas, na região do Pacaembu, não tem mais espaço para novos infectados nas unidades de terapia intensiva.

“Mostra claramente a pressão do sistema público de saúde”, disse o infectologista e chefe do Centro de Contingência de São Paulo, David Uip.
Os dados foram divulgados hoje pelo Centro de Contingência ao Coronavírus do estado. O Emílio Ribas conta com 30 leitos de UTI dedicados à pandemia até o momento. A Secretaria estadual de Saúde promete aumentar a capacidade em mais 20 estejam em até duas semanas.

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A expectativa das autoridades de saúde é o número de contaminados e mortos crescer e atingir seu pico em maio. Pelo segundo dia consecutivo, São Paulo registrou um índice de óbitos de dois dias. O estado registrou 778 vítimas fatais até o momento. Somente nos últimos sete dias, a elevação nas mortes foi de 81,7%.

Pela manhã, o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, falou que os cenários apontam que em maio os leitos da rede pública de saúde estarão lotados. Restarão os hospitais de campanha, que devem ter as vagas preenchidas até julho. Os cálculos se baseiam no índice de isolamento social de 50%, que é o que vem sendo registrado no momento